26/12/2025

motivations

        Durante algum tempo, principalmente nos anos em que estive realizando meu doutorado em Literatura Portuguesa na Uerj, prometi-me que não voltaria mais a escrever recreativamente, isto é, que não poria mais no papel ou em qualquer outro suporte minhas reflexões e devaneios. 

    É preciso compreender que, naqueles anos de 2020 a 2024, eu vivia um turbilhão de acontecimentos: entrada e saída de uma crise sanitária sem precedentes; quarentena; desemprego; decepções e desilusões com a Universidade; reentrada no mercado de trabalho docente numa escola particular que me explorava e me pagava mal; concursos públicos; minha primeira matrícula; relações pessoais tempestuosas; depressão; terapia etc.

  

    Só consegui sair desse maelstrom quando finalmente defendi minha tese há pouco mais de um ano, em 17 de dezembro de 2024. Uma linda e potente tese sobre a nossa permanente miséria: a guerra. Quem quiser acessá-la, eis: Álvaro de Campos, um destino à Ilíada (2024)

    Em 2025, então, estabilizado financeira e emocionalmente, passei a me dedicar, com cautela, às duas escolas em que trabalho como professor de Língua Portuguesa. Na prefeitura de Petrópolis, onde estou desde 2023, tive pequenos aborrecimentos, especialmente porque, sendo do Rio de Janeiro, capital, tenho a frequente sensação de que não sou bem-vindo na cidade de dom Pedro. Mas não surtei, nem perdi meu réu primário. 

    Em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, local com o menor IDEB do Estado, por incrível que pareça, sinto-me mais à vontade para empreender, com afinco, aquilo que eu considero como Educação pública, gratuita, democrática, altamente referendada. Conto - é verdade - com a boa disposição dos colegas que asseguram que minha atuação seja a mais adequada possível.

    Desde o dia 19 de dezembro estou de férias. De lá pra cá, preparo-me para o concurso da minha vida. A expectativa e o nervosismo são grandes, bem como a minha vontade de fazer tudo certo desta vez. Sem aporrinhações, sem ter que me justificar para alguém, com celulares desligados, posso fazer um bom balanço: não me embananei em 2025; ao contrário: fiz boas conquistas. 

    Preciso dizer que não tive reconhecimento de ninguém: meus amigos se afastaram de mim; passei, ao longo de 2025, em um eterno silêncio, o que também propulsionou a alienação ao meu trabalho. Hoje, contudo, sei que, se por um lado, toda a sorte de negligência me empurra para dispor a minha energia aos meus compromissos profissionais, por outro, creio que sou capaz de entender que o meu trabalho não é a minha vida; apenas faz parte dela, como tantas outras esferas. 

    Por isso, acho que, deste momento em diante posso escrever sobre o que eu tenho visto no meu cotidiano particular e sobre o dia a dia dos brasileiros de modo geral, sem correr o risco de me deprimir, de me diminuir enquanto alguém que, antes, não tinha muito o que dizer; ou, ao menos, eu acreditava que fosse assim. 

    Quero ver se minha bílis aguenta que eu diga qualquer coisa de relevante sobre aspectos culturais, políticos, sociais e particulares sobre essa vidinha. Ridendo...




Nenhum comentário:

Postar um comentário

motivations